TEXTOS
Mas o que é o convencional?
Isto é tudo muito bonito quando dizem que o que é
convencional é que é correto. Mas e se não for bem assim? E se existirem
alternativas o que nos impede de as experimentarmos?
Temos que nos habituar a analisar e a aceitar o que é diferente. É aí que há
que mudar mentalidades. Deve-se então começar pelas crianças. Talvez seja esse o público que aceita o que é
diferente. Encontramos mais tolerância e até honestidade nos mais pequenos.
Admira-se? Não se costuma dizer que é de
pequenino que se torce o pepino?
Ana Sofia Gomes
Slow School
O movimento "slow school" vem revolucionar a ideia pré-concebida do que para nós é uma escola normal. Como tal, é uma tarefa bastante complicada alterar a mentalidade das pessoas, visto que ao longo das várias gerações sempre foram habituadas ao mesmo sistema de ensino.
Todas as pessoas são diferentes e o que vemos nas nossas escolas é que todos têm de partir do mesmo ponto de instrução. O que o movimento "slow school" pretende é romper com esse processo estandardizado, adaptando-se às características individuais de aprendizagem e aos tipos múltiplos de inteligência.
É fundamental que as crianças tenham vontade de ir à escola, que tenham vontade de aprender e o que acontece muitas vezes são as crianças chorarem por terem que ir para as aulas. Este novo modelo faz com que isso não aconteça, incentivando as crianças não só para as situações de estimulação mas também para as pausas e relaxamento, de forma a que possam ordenar as ideias de uma forma estável e criativa.
Os resultados destas novas escolas têm sido mais satisfatórios do que os do ensino tradicional, sendo por isso um motivo de esperança para que este novo modelo comece a ser cada vez mais implementado, visto que temos um projecto vencedor e que faz com que as crianças tenham vontade de ir à escola e aprender.
Eduardo Caldeira
Slow School
Slow school é um modelo ainda pouco conhecido e explorado ,tanto em Portugal como no estrangeiro. Este é olhado com um certo receio e estranheza. Para as pessoas é difícil perceber como um modelo educacional tão alternativo se poderá tornar num caso de sucesso. São mentalidades difíceis de mudar e certamente que este movimento terá um longo percurso até se conseguir instalar no sistema de ensino.
Assim, começam agora a ser exploradas as vantagens, de certa forma desconhecidas, deste modelo. Se considerarmos este paradigma educacional como mais liberal - o que é -, podemos ter esperança que o abandono escolar diminua. Os alunos que viam a escola como um tormento podem agora passar a olhar para esta com maior otimismo e encará-la como um caso sério.
Desta forma podemos ter esperança numa escola diferente, talhada para os mesmo objetivos mas com uma abordagem de ensino distinta, com vertentes mais criativas e exploratórias tanto do mundo como dos próprios alunos.
Ivo Ribeiro
Slow Life
O problema de excesso de velocidade é nosso e não é por falta de aviso. Mas agora há alternativas às fast cities com fast food em fast cars, defendem os especialistas. Chama-se Slow Living.
Há quem lhe chame "movimento" mas depois de ouvir uma breve explicação percebemos de imediato que este movimento é uma necessidade. Muitos referem que abrandar o ritmo é uma questão de sobrevivência.
Existem pessoas de diferentes profissões e estilos de vida que, alheias de um projecto internacional com nome de Slow Living, procuram simplesmente abrandar o ritmo de vida.
O processo inicia-se quando paramos e pensamos que as novas tecnologias nos trocaram as voltas. O que inicialmente apareceu com o objectivo de nos facilitar o trabalho acabou por fazer-nos trabalhar ainda mais e mais depressa.
O movimento slow não defende que tenhamos sempre que fazer as coisas mais devagar. Com o Slow Living passamos a dar o devido tempo às coisas do nosso dia-a-dia, porque as coisas boas levam tempo para serem plenas. Trata-se de um equilíbrio em prol do desenvolvimento sustentável, bem-estar e qualidade para os indivíduos.
Slow food, slow medicine, slow school, entre outras vertentes, têm um denominador comum: o prazer. Na corrente Slow defendem que o prazer é efectivamente a única forma de nos opormos à fast life.
Joana Fernandes
Abranda
Acorda. Veste a roupa que a sociedade aprova. Come, já no carro, todos aqueles alimentos processados que compraste no supermercado. Já estás atrasada. Deixa os miúdos na escola e continua a desvalorizar o facto de chorarem todos os dias por o fazeres. Pede desculpa ao patrão por uma vez mais chegares atrasada e stressada. Trabalha, trabalha e trabalha. Sente-te exausta e faz a pausa do almoço uma hora mais tarde do que deverias. Uma vez mais saiste depois da hora, já não há tempo de preparar o jantar. Passa naquele restaurante do costume e leva-o já pronto a comer. Jantem e no pouco tempo que sobra tenta manter uma conversa com os miúdos. Deita-te. Pensa que este é o único momento do dia que tens para relaxar. Mesmo assim não o consegues fazer porque todos os teus pensamentos se assemelham a um ciclone na tua cabeça. Finalmente consegues adormecer.
Acorda. Veste a roupa que a sociedade aprova... Vale a pena continuar? Penso que não. Aqui fica uma dica: se te revês na história que acabei de te contar estás em apuros.
Chegou o momento de tomarmos consciência de que não estamos a viver a vida - a vida é que nos está a viver a nós. Todos os dias vemos pessoas stressadas com o trabalho, vemos pessoas pouco saudáveis devido às más escolhas alimentares que fazem, vemos crianças infelizes porque todos os dias têm de lidar com o pesadelo da escola e vemos pessoas que reprimem os seus próprios gostos porque a sociedade nunca os iria aceitar. Chegou o momento de fazermos tudo com mais calma. Mais devagar.
É esta a proposta do movimento Slow, que nos pretende consciencializar acerca dos nossos (maus) hábitos de vida. Desde vertentes como o Slow Food, passando pelo Slow School até ao Slow Travel, todas as atividades são passíveis de serem realizadas de modo mais descontraído, despreocupado e feliz.
Abrandar o ritmo é cada vez mais uma necessidade não só do corpo mas também da mente. A velocidade dos dias de hoje está a tornar-se uma doença do século XXI e a prejudicar gravemente os cidadãos. A vida requer tempo para ser vivida e calma para ser aproveitada.
Sejamos todos mais Slow em tudo o que fazemos e garanto-vos que seremos mais felizes.
Mariana Almeida
Prós e Contras
Bem... Eu devo ser a pessoa mais cética relativamente a este tema, no nosso grupo de trabalho. Provavelmente pelas vivências que tenho com o meu irmão ou simplesmente por não querer mudar. Enquanto pesquisavamos sobre o Slow School, do qual nunca ouvi falar, descobrimos diferentes metodologias de ensino que considero serem bastante favoráveis às crianças, como por exemplo dar-lhes tempo e espaço para que estas façam as suas tarefas do dia a dia sem pressões e com calma.
Por outro lado, este movimento adota métodos que, a meu ver, não poderiam ser aplicados a todas as crianças. Um desses métodos é a falta de um horário letivo. Pesno que esta falta de limites não iria ser bem aceite por todos os alunos e assim, em vez de ser mais proveitoso, poderia torna-se um problema.
Assim, posso dizer que sou a "favor" e "contra" este movimento. Agora eu própria me questiono: será que sou cética por completo mas com razão? Ou será que não consigo ver para além daquilo a que estou já habituada?
Joana Sá
O que é o Slow School?
O movimento Slow School, em comparação a outros movimentos como Slow Fashion, Slow Travel e Slow Food é ainda um movimento pouco desenvolvido em Portugal bem como no resto do mundo . A meu ver esse baixo reconhecimento deve-se à falta de adesão a esta prática, provocada pela desconfiança e falta de credibilidade associada às escolas que praticam este método de ensino.
O melhor incentivo à implementação deste método é o foco nos pontos positivos e a transmissão destes aos estudantes, preferencialmente aos que se encontram nos primeiros anos das suas vidas escolares. O Slow School, não esquecendo caraterísticas como a instrução e a educação que estão presentes nas escolas convencionais, tem como principais objectivos: a possibilidade de os alunos gerirem o seu tempo; a liberdade de decisão acerca do que vão fazer; o aumento na tomada de iniciativa e o aproveitamento do aluno; o aumento da responsabilidade e da auto-gestão do aluno e o incentivo ao prazer do conhecimento e o desenvolvimento das áreas com mais interesse para cada um.
No movimento Slow School, e ao contrário do que os críticos possam julgar, todos os conhecimentos são valorizados, sem excepção, tais como o científico, o académico, o comunitário, o tradicional e o religioso.
Raquel Ribeiro
A nova era da educação
Nos dias de hoje a educação está cada vez mais focada nas notas e resultados dos alunos e muitas vezes esquecem-se da experiência que eles estão a viver.
O movimento Slow School tem uma abordagem diferente, apoiado num método de ensino que está centrado no aluno e tudo o resto serve para o ajudar e guiar durante o seu processo de aprendizagem. Deste modo os alunos aproveitam todos os momentos da sua educação da melhor maneira pois não sentem tanta pressão e stress como nos outros métodos de ensino tradicionais, podendo assim aprender à sua maneira e ao seu ritmo.
Apesar deste movimento já estar implementado em diversas escolas, continua a ter um longo caminho pela frente até conseguir competir com a enormidade dos outros métodos tradicionais que são conhecidos e utilizados na maioria das escolas. Mesmo assim acredito que as pessoas vão perceber o seu potencial e vão começar a aderir cada vez mais ao Slow School.
Ricardo Rodrigues
Shibuya Gaigo Gakuin
Situada em Tokyo, Japão, num bairro em Shibuya, existe desde
2009 uma escola que usa um método de ensino diferente do tradicional e que se
tem mostrado eficaz.
A 6 minutos de uma das maiores e mais movimentadas estações de comboio, esta
escola tem diversos cursos que variam nas matérias e na duração: há cursos desde
os 3 meses (205€) até aos 24 meses (1500€), estando também incluídos nestes
preços os seguros de saúde proporcionados pela escola.
Uma escola focada no ensino de diversas línguas a estudantes japoneses, e de outros países, onde a totalidade dos docentes fala um inglês fluente, tornando o ensino de idiomas uma experiência mais imersiva. Outro fator diferenciador e personalizado praticado nesta escola japonesa é o grau de dificuldade da escola, baixo-médio, com aulas, apenas no horário da manhã ou no horário da tarde, e matérias ensinadas a um ritmo mais lento, mais saudável e faseado. Existe ainda a particularidade de todas as turmas serem mais pequenas, o que facilita a aprendizagem e permite que os docentes tomem mais atenção a cada um dos alunos.
A escola tem uma política de interação pessoal muito vinculada através por exemplo de inúmeros eventos, de modo a criar uma relação mais fácil e divertida entre todos os alunos, sejam eles japoneses ou estrangeiros.
Através deste método de ensino existe uma enorme potencialidade para incentivar a criatividade e o pensamento e ao mesmo tempo permitir uma aprendizagem mais fácil de matérias teóricas e práticas.
Ricardo Vieira